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24/02/2011

Indescritvel

Tentar escrever com essas unhas incríveis, resistentes e longas que, agora, possuem minha mão está sendo uma tarefa de gincana. Sabem que tudo que eu escrevo aqui escrevo à mão, num caderno?!

Sou vintage heim...

Mas, voltando, fase de adaptação...

 

Unha longa

Cabelo escuro,

Ai ai...

 

Bom e estranho.

Novas combinações para as roupas, cuidado na hora de coçar o olho, fazer x...

 

Ah! Deixa pra lá...

22/02/2011

Leiam todo!

Eu nunca guardei rebanhos

 

“Eu nunca guardei rebanhos,
 Mas é como se os guardasse.
 Minha alma é como um pastor,
 Conhece o vento e o sol
 E anda pela mão das Estações
 A seguir e a olhar.
 Toda a paz da Natureza sem gente
 Vem sentar-se a meu lado.
 Mas eu fico triste como um pôr de sol
 Para a nossa imaginação,
 Quando esfria no fundo da planície
 E se sente a noite entrada
 Como uma borboleta pela janela.



 Mas a minha tristeza é sossego
 Porque é natural e justa
 E é o que deve estar na alma
 Quando já pensa que existe
 E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.
 Como um ruído de chocalhos
 Para além da curva da estrada,
 Os meus pensamentos são contentes.


 Só tenho pena de saber que eles são contentes,
 Porque, se o não soubesse,
 Em vez de serem contentes e tristes,
 Seriam alegres e contentes.
 Pensar incomoda como andar à chuva
 Quando o vento cresce e parece que chove mais.
 Não tenho ambições nem desejos
 Ser poeta não é uma ambição minha
 É a minha maneira de estar sozinho.

 E se desejo às vezes
 Por imaginar, ser cordeirinho
 (Ou ser o rebanho todo
 Para andar espalhado por toda a encosta
 A ser muita cousa feliz ao mesmo tempo),
 É só porque sinto o que escrevo ao pôr do sol,
 Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz
 E corre um silêncio pela erva fora.

 Quando me sento a escrever versos
 Ou, passeando pelos caminhos ou pelos atalhos,
 Escrevo versos num papel que está no meu pensamento,
 Sinto um cajado nas mãos
 E vejo um recorte de mim
 No cimo dum outeiro,
 Olhando para o meu rebanho e vendo as minhas idéias,
 Ou olhando para as minhas idéias e vendo o meu rebanho,
 E sorrindo vagamente como quem não compreende o que se diz
 E quer fingir que compreende.

Saúdo todos os que me lerem,
Tirando-lhes o chapéu largo
Quando me vêem à minha porta
Mal a diligência levanta no cimo do outeiro.
Saúdo-os e desejo-lhes sol,
E chuva, quando a chuva é precisa,
E que as suas casas tenham
Ao pé duma janela aberta
Uma cadeira predileta
Onde se sentem, lendo os meus versos.
E ao lerem os meus versos pensem
Que sou qualquer cousa natural —
Por exemplo, a árvore antiga
À sombra da qual quando crianças
Se sentavam com um baque, cansados de brincar,
E limpavam o suor da testa quente
Com a manga do bibe riscado.




(Alberto Caeiro)